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Deficientes visuais experimentam a sensação de andar de skate

Ana Clara está em cima do skate e ao lado um homem com a mão em seu ombro.

Um desafio diferente, com muito frio na barriga e diversão, foi proposto para oito crianças com deficiência visual de Sorocaba na manhã desta sexta-feira (17): aprender a andar de skate. A oficina, oferecida por voluntários no Parque das Águas, reuniu crianças de 8 a 12 anos atendidas pela Associação Sorocabana de Atividades para Deficientes Visuais (Asac). A atividade foi idealizada pelo empresário Alexandre Augusto Fratini, 42 anos. “A oficina nasceu da observação que tive uma vez de um deficiente se desvencilhando dos obstáculos urbanos da rua. Eu fiquei espantado com a superação”, conta.

Para proporcionar formas de orientação para os pequenos alunos, Alexandre elaborou um sistema especial, com fitas coladas no chão. “Desenvolvi um tipo de piso tático, observando a sinalização de trânsito. As fitas na vertical funcionam como aqueles olhos de gato, e as horizontais como sonorizadores. Dessa maneira eles sabem onde começa essa descida, onde acabada a descida e onde acaba o passeio”, explica.

Além de toda a diversão, a brincadeira ainda contribui para desenvolver importantes habilidades, como noção de espaço, corporal e a descoberta de novas capacidades, conforme explica a profissional da Asac, Vanessa Junia, 33 anos. “É uma sensação e percepção diferentes”, diz. E a aprovação das crianças tem sido total. “Eles adoraram. Algo assim, nas palavras deles, “radical””, diz. A atividade diferente teria chamado a atenção também dos adultos e até dos idosos atendidos pela Asac, que estariam demonstrado interesse em participar de oficinas do tipo.

Enquanto as crianças descobriam novas possibilidades na pista de skate, os familiares formavam uma plateia animada e apreensiva. Vanessa conta que, muitas vezes, os pais acabam superprotegendo as crianças e ações como essa ajudam nesse aspecto. “Quando eles veem que eles (as crianças) são capazes é maravilhoso. Eles acabam acreditando ainda mais”, conta.

Medo superado

Adriana Isidro Flausino, 24 anos, mãe de Ana Clara Isidro Flausino, 8 anos, conta que a filha não costuma ter medo de atividades diferentes e a menina demonstrou essa coragem na pista. “Eu achei muito legal”, afirmou com entusiasmo. Sobre o frio na barriga conta que “dá só um pouquinho” e que sua parte preferida foi a subida.

Kamille está em cima do skate. Ao lado tem um homem.

Para Kamile Victoria da Silva Ferreira Esteves,10 anos, as descidas foram a melhor parte. A menina conta que não teve medo e que pretende continuar andando de skate. A família da menina relata que ela de fato não se intimida perante o desconhecido. “É um desafio a mais para eles. A Kamile ama desafio, ela rala, cai e levanta de novo”, afirma Rosana Aparecida da Silva, 52 anos.

As crianças participantes da oficina têm deficiência visual total ou parcial e receberam atenção individualizada. Segundo Alexandre, a atividade foi aplicada pela primeira vez ontem, mas a expectativa é de realizar mais oficinas. O esportista é proprietário da SuperHouse Skate School, uma empresa sorocabana de promoção de eventos esportivos relacionados a skate, que realiza campeonatos, aulas e festivais.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul (link para o site).

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