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Moda inspirada na escrita em braille para provocar reflexão

“Quero que as pessoas levem mais do que peças: quero que levem reflexão”. A frase é da publicitária e designer Cintia Caroline, 31, que lança neste sábado (15) em Belo Horizonte a coleção Botões, de peças de roupas com escritos em braille – sistema tátil usado por cegos – e artesanato produzido por mulheres com deficiência visual.

A ideia, segundo Cintia, surgiu em 2009, durante sua pós-graduação em publicidade. “Estava escrevendo um livro com um personagem fotógrafo e me perguntei: ‘Como seria se o fotógrafo não enxergasse?’”, lembra. Ela, então, decidiu aprender braille para ter experiências sensoriais.

“Procurei o Instituto São Rafael – referência na área – e fiz um intensivão de braille”, brinca a publicitária. No entanto, segundo Cintia, foi em uma festa que a decisão de fazer roupas com escritos em braille se consolidou. “Vi uma mulher cega contar todo o esforço mental para decorar as peças que queria usar no dia a dia e tive a certeza de que precisava fazer algo. Desde então, produzo roupas com dados de tamanho e cor em braille”, explica.

Uma mulher está segurando a coleção de Botões e sorri.

Há um ano, Cintia conheceu alunas do curso de cerâmica do Lar das Cegas, projeto da Associação de Cegos Louis Braille, que a procuraram para mostrar um botão de cerâmica feito por elas. “Aquilo simbolizou muito pra mim. Convidei essas mulheres para participar da coleção e do lançamento”, conta.

Parte da renda com a venda das roupas vai ser revertida à instituição, que poderá usar o espaço para vender almofadas, cerâmica e peças feitas por elas. “Cegas têm mão de obra qualificada e devem estar no mercado”, defende.

Mensagens. As camisas da coleção Botões carregam algumas mensagens de empoderamento e inclusão, como “Enxergue além do olhar” e “Liberdade”, sempre escritas em braille. O objetivo, segundo Cintia Caroline, idealizadora do projeto, “é que as mensagens possam ser sentidas por meio de um abraço, transmitindo valor e igualdade”.

Colaboradora diz que cegos precisam de mais oportunidades

Colaboradora da coleção Botões, a pedagoga Maria Chamone, 40, tem apenas 10% da visão preservada e defende que a pessoa com deficiência visual deva ser tratada com mais naturalidade na sociedade.

“O cego é uma pessoa como outra qualquer, mas tem gente que acha que quem não vê não vai ao bar, não namora. Parece que estão vendo um cavalo voar. Se derem mais oportunidades, todo mundo vai entender que não existe diferença entre as pessoas”, afirma.

No dia do evento, Maria vai ministrar uma oficina de cerâmica aos participantes.

Evento. Gratuito, o evento vai ser realizado no Floresça Café (rua Rio Grande do Norte, 311, Santa Efigênia, em BH), a partir das 14h. A oficina de cerâmica vai oferecer seis vagas, conforme ordem de chegada.

Às 15h, uma roda de conversa vai discutir acessibilidade e inclusão. E, às 16h, vai ser lançada a coleção.

Fonte: O tempo (link para o site).

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