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‘Quero ser um exemplo’, diz deficiente visual concursada no Amapá

Kérsia fazendo massagem em um homem que está deitado.

A deficiência visual deixou de ser há muito tempo um obstáculo para a socióloga Kérsia Celimory Ferreira. Há quatro anos ela passou em um concurso público e desde maio deste ano ela atua como massoterapeuta no Centro de Referência em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Cerpis), em Macapá.

“Quero ser um exemplo no mercado a ser seguido e mostrar que podemos ser excelentes profissionais”, disse a servidora pública. Nesta sexta-feira (21) é celebrada o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.

Kérsia faz parte dos 52% de pessoas com deficiência no Amapá que estão exercendo alguma atividade profissional. Os dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) são de 2017 e apontam que de 723 vagas destinadas a esse público.

Kérsia está em pé, com as mãos em seu jaleco. Ela sorri.

Para Kérsia, parte da dificuldade da inserção de deficientes no mercado de trabalho está ligada mais a má vontade das empresas do que a falta de qualidade do candidato à vaga.

“Logo que completei 18 anos fui atrás de emprego em lojas de departamento, fiz entrevistas, mas nunca me chamaram. Notei que as empresas sempre procuram pessoas com deficiências ‘menores’, apenas para preencher as cotas obrigatórias. É muito mais má vontade, do que falta de qualidade dos candidatos deficientes. Elas [empresas] não pensam em adaptar o profissional da melhor forma, mas os vê como um peso”, desabafou.

O levantamento do MTE aponta que empresas privadas são as que mais contratam deficientes. São 373, o que representa 59% da totalidade de vagas a serem preenchidas.

Dados apontam que pouco mais da metade das vagas para deficientes foram preenchidas em 2017 no Amapá.

Formada em sociologia desde de 2012, Kérsia encontrou no concurso público uma alternativa para superar o obstáculo. De acordo com o MTE, ela é um dos servidores deficientes públicos com deficiência.

Por ter superado o desemprego e sentir na pele que muitas vezes essa falta de oportunidade está associada ao preconceito, a servidora pública usa a sociologia para trabalhar e lutar pela inclusão no Amapá.

“Mesmo depois de ter passado no concurso sofri para começar a trabalhar, uma vez que tive que lutar para aceitarem meus exames. Graças a Deus hoje não sofro mais com isso profissionalmente. Então hoje trabalho a sociologia diretamente com meu projeto Inclusão no Meio do Mundo”, finalizou.

Fonte: G1 (link para o site).

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