Tua História

O deficiente auditivo também tem direitos!

Oi! Meu nome é Rebeca, tenho 21 anos e sou do Rio de Janeiro. Faço faculdade de Terapia Ocupacional no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. E também sou deficiente auditiva.

Descobri que tinha deficiência auditiva bilateral moderada aos 18 anos, quando fui ao otorrino por causa de um ouvido entupido com água da piscina. O otorrino passou uma audiometria para verificar se estava tudo bem e assim descobri que passei minha vida inteira não escutando direito. Nunca havia percebido essa perda auditiva. Sabia que não escutava bem, mas sempre achava que os outros falavam baixo ou “embolado”. Com isso, sempre respondia com: “Oi??? Hã??? Quê???”. Assim, “caminho” virava facilmente “carrinho” e “cebola” virava “cenoura”.

Eu, que sempre ia ao médico fazer check-up e exames de rotina todos os anos, nunca havia ao otorrino fazer uma audiometria. De início, veio a negação. Não conseguia aceitar. A clínica particular era nova, só devia estar querendo ganhar dinheiro. Fui tirar a contraprova e consegui agendar uma consulta pelo SUS. Não deu outra. Logo comecei a usar um aparelho intra auricular e me adaptar essa nova vida. Eu sempre usei fone de ouvido a vida inteira e, apesar disso talvez ter contribuído, o fonoaudiólogo disse que devo ter essa deficiência desde nascença, devido a perda ser igual nos dois lados (41 decibéis).

Consegui perceber a diferença no dia a dia. O zumbido que eu escutava constantemente diminuiu, permitindo que eu me concentrasse melhor (apesar da microfonia que de vez em quando o aparelho dá). Também me descobri como uma pessoa que possui direitos, pois muitas vezes associamos o direto do deficiente apenas ao deficiente físico. Mas o deficiente auditivo, mesmo em caso menos graves como eu, também os possui.

Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, pude tirar o RioCard Especial, que me concede passagens de ônibus diariamente. A nível federal, o deficiente auditivo pode prestar concurso público através de leis que garantem sua inclusão por meio das cotas. E assim, vou me descobrindo diariamente como uma pessoa portadora de diretos!

E meu sonho é que todos os aparelhos eletrônicos se conectem via wireless diretamente com o aparelho!

Gratidão a Rafaela, pelo convite para participar dessa sessão. E a professora Caciana, por me apresentar ao Diversidade na Rua.

Compartilhar: Facebook Twitter